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Consigo jogar videogame por horas, então não tenho TDAH? Entenda o mito

Erika Tavares
22/04/202618 minutos de leitura
Dra. Erika Tavares, neurologista em Joinville, Jaraguá do Sul, Pomerode, Blumenau, Florianópolis. Saúde cerebral; enxaqueca; analgésico;neurologista;Neurologista em Jaraguá do Sul; Clínica de neurologia em Jaraguá do Sul; Médico especialista em dor de cabeça Jaraguá do Sul;Tratamento para enxaqueca em Jaraguá do Sul; Neurologista particular em Jaraguá do Sul; neuropediatra em Jaraguá do Sul; neurologista em pomerode;neurologista;Especialista em enxaqueca;Neurologista especialista em cefaleia;Tratamento preventivo para enxaqueca;Enxaqueca crônica tem cura;Enxaqueca refratária tratamento;Toxina botulínica para enxaqueca;Aplicação de toxina botulínica para dor de cabeça;Novos tratamentos para enxaqueca;Bloqueio anestésico para dor de cabeça;Diferença entre enxaqueca e dor de cabeça tensional;Enxaqueca com aura sintomas;Enxaqueca menstrual tratamento;Alimentos que causam enxaqueca;Por que minha cabeça dói todo dia;videogame

Você passa horas sentado diante de um computador ou de uma televisão, com os olhos fixos na tela, os reflexos apurados e uma concentração inabalável enquanto joga videogame. O mundo ao redor parece desaparecer. Ninguém precisa lembrá-lo de continuar, e o cansaço parece não existir. No entanto, quando você precisa ler um simples relatório do trabalho, estudar para uma prova importante ou até mesmo organizar a sua casa, a sua mente parece uma televisão mudando de canal sozinha a cada dez segundos. A frustração toma conta, e, muito frequentemente, você ouve de familiares, amigos ou colegas de trabalho a clássica frase: “Se você consegue passar cinco horas jogando, você não tem problema de atenção; o que falta é força de vontade”. Eu escuto essa queixa diariamente no consultório, e sei o quanto esse julgamento moral machuca, gera culpa e esconde uma realidade neurobiológica complexa. O mito de que a capacidade de focar em atividades prazerosas exclui a possibilidade de um diagnóstico de Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) é um dos maiores obstáculos para que adultos e crianças recebam a ajuda médica adequada e resgatem a qualidade de vida.

Como médica neurologista, compreendo profundamente a exaustão que acompanha a sensação crônica de falhar nas tarefas diárias, mesmo quando você sabe que tem inteligência e capacidade para realizá-las. Viver com a cobrança constante de tentar funcionar em um padrão que o seu cérebro simplesmente não suporta gera não apenas angústia psicológica, mas também consequências físicas graves, como fadiga crônica, insônia severa e episódios frequentes de dores de cabeça tensionais. O TDAH não é um defeito de caráter, não é preguiça e, definitivamente, não é anulado pela sua habilidade de ser um excelente jogador. Para entender o porquê de essa disparidade de atenção ocorrer, precisamos mergulhar na neurociência do seu cérebro, desmistificar o funcionamento do sistema de recompensa e, mais importante, traçar um caminho estruturado, ético e empático para devolver a sua autonomia.

O que é o hiperfoco no TDAH e por que ele acontece?

A primeira grande correção que precisamos fazer sobre o TDAH é em relação ao seu próprio nome. O termo “Déficit de Atenção” sugere que o cérebro do indivíduo não possui capacidade de prestar atenção em nada. Contudo, do ponto de vista neurológico, o transtorno é muito mais uma desregulação da atenção do que uma ausência dela. O cérebro com TDAH apresenta um funcionamento atípico nas vias dopaminérgicas, especialmente no córtex pré-frontal, a área responsável pelas nossas funções executivas (como planejamento, controle de impulsos, organização e iniciação de tarefas).

A dopamina é um neurotransmissor fundamental para o sistema de recompensa e motivação. Em um cérebro neurotípico (sem TDAH), existe uma liberação basal de dopamina suficiente para que a pessoa consiga iniciar e manter o foco em tarefas consideradas monótonas ou de longo prazo, como ler um livro técnico ou preencher uma planilha de gastos. No cérebro com TDAH, essa disponibilidade de dopamina na fenda sináptica é irregular. Consequentemente, o cérebro entra em um estado de “fome” constante por estímulos. É nesse cenário que surge o hiperfoco. Quando o indivíduo se depara com uma atividade que oferece novidade, desafio, urgência ou interesse genuíno, o cérebro recebe uma enxurrada de dopamina. Essa liberação maciça “trava” o foco da pessoa na atividade, permitindo que ela passe horas a fio concentrada, esquecendo-se até de comer ou de ir ao banheiro.

O hiperfoco, portanto, não é a prova de que o TDAH não existe. Pelo contrário, ele é um dos sintomas mais clássicos da desregulação dopaminérgica. O cérebro está compensando a falta crônica de estímulo agarrando-se desesperadamente a uma fonte rica e imediata de recompensa. É por isso que você consegue mergulhar profundamente em um novo hobby, em um jogo eletrônico ou em um assunto do seu interesse repentino, mas sente uma barreira quase física, uma verdadeira paralisia, quando precisa iniciar um projeto do trabalho que não gera a mesma resposta química no seu sistema nervoso.

É possível ter TDAH e conseguir prestar atenção em algumas coisas?

Uma dúvida muito comum que recebo de pacientes e de pais de crianças no consultório é justamente esta: “Mas doutora, como ele pode ter TDAH se monta peças complexas de blocos de montar por horas ou devora livros de fantasia sem parar?”. A resposta reside na diferença entre o sistema nervoso baseado em importância e o sistema nervoso baseado em interesse. A maioria das pessoas sem o transtorno opera primariamente no sistema baseado em importância. Isso significa que, se uma tarefa é importante para o trabalho, para a saúde ou para a manutenção da vida social, o cérebro mobiliza a energia necessária para executá-la, independentemente de ser divertida ou não.

Por outro lado, o cérebro com TDAH opera fundamentalmente em um sistema baseado em interesse, novidade ou urgência. A importância abstrata de uma tarefa (“eu preciso entregar este relatório amanhã para manter o meu emprego”) muitas vezes não é suficiente para ativar as vias dopaminérgicas necessárias para a iniciação da ação. O cérebro sabe que a tarefa é importante, a pessoa sente uma ansiedade imensa por não estar fazendo a tarefa, mas o “motor de arranque” neurológico simplesmente não liga. Essa discrepância entre a intenção e a ação gera um ciclo devastador de procrastinação, culpa e autodepreciação.

Quando a tarefa envolve um interesse profundo, a barreira de iniciação desaparece. O cérebro encontra o “combustível” químico que faltava e entra em estado de fluxo (flow). É perfeitamente possível, e clinicamente esperado, que uma pessoa com TDAH apresente picos de atenção extrema e sustentada para atividades estimulantes, contrastando violentamente com uma desatenção profunda para rotinas burocráticas ou repetitivas.

Como o cérebro com TDAH reage aos estímulos digitais dos jogos?

Para compreendermos o mito em sua totalidade, precisamos analisar o design dos jogos modernos. A indústria do entretenimento digital investe bilhões de dólares em neurociência e psicologia comportamental para criar produtos altamente engajadores. Os jogos são projetados especificamente para sequestrar o sistema de recompensa do cérebro. Eles oferecem objetivos claros de curto prazo, feedback visual e sonoro imediato a cada ação correta, um sistema de progressão constante (níveis, pontos, recompensas) e consequências imediatas para os erros.

Para um cérebro com TDAH, que luta diariamente contra o tédio neurológico e a dificuldade de enxergar recompensas a longo prazo, um jogo eletrônico é o ambiente perfeito. No mundo real, você estuda durante semanas para uma prova, e a recompensa (uma nota) só vem meses depois. No mundo virtual, você aperta um botão e instantaneamente recebe uma explosão de cores, sons e pontos de experiência. Essa retroalimentação imediata cria um ciclo contínuo de liberação de dopamina. O cérebro, faminto por esse neurotransmissor, fixa-se no jogo de maneira quase instintiva. O esforço atencional exigido pelo jogo não é voluntário ou custoso; ele é passivo e quimicamente sustentado pela própria atividade.

Dessa forma, a capacidade de passar horas focado em uma tela interativa não testa a sua função executiva de “sustentar a atenção de forma voluntária em uma tarefa não gratificante”. Ela apenas confirma que as suas vias de recompensa reagem fortemente a estímulos supernormais. É uma resposta biológica previsível, e usá-la como argumento para invalidar o sofrimento atencional que o paciente enfrenta nas outras esferas da vida é um erro clínico e uma tremenda injustiça.

Como o uso excessivo de telas afeta o sono no TDAH?

Um aspecto que frequentemente agrava a situação é o impacto das telas no ritmo circadiano. O hiperfoco em atividades digitais, especialmente durante a noite, gera um estado de hiperalerta cognitivo e exposição prolongada à luz azul, o que inibe a produção de melatonina, o hormônio indutor do sono. Isso nos leva a uma comorbidade extremamente comum: a insônia. O acompanhamento médico para o TDAH precisa, obrigatoriamente, passar por um tratamento para insônia e distúrbios do sono de forma conjunta.

Quando um paciente com TDAH não dorme bem, o córtex pré-frontal, que já apresenta um funcionamento basal mais lentificado, amanhece ainda mais exaurido. A disfunção executiva piora drasticamente no dia seguinte. O controle de impulsos falha, a regulação emocional torna-se frágil (resultando em irritabilidade e explosões de humor) e a capacidade de focar em tarefas chatas chega a zero. Para piorar, esse estado de privação de sono e tensão constante frequentemente desencadeia crises crônicas de dor. Muitos pacientes me procuram em busca de tratamento para dor de cabeça crônica ou mesmo um tratamento para enxaqueca forte sem perceberem que o gatilho principal é a exaustão neurológica decorrente do ciclo de hiperfoco noturno, insônia e desregulação do TDAH.

Nesses casos, a abordagem clínica exige uma visão integral. Não basta apenas prescrever um analgésico. Como neurologista especialista em cefaleias, analiso toda a cadeia de eventos. Muitas vezes, ao tratar a causa primária — ajustando o ciclo de sono-vigília, regulando a dopamina e utilizando intervenções pontuais, como o bloqueio de nervos cranianos para cefaleia ou a aplicação de toxina botulínica para enxaqueca —, conseguimos romper o ciclo de dor e devolver a clareza mental que o paciente achava ter perdido para sempre.

Qual a diferença entre hiperfoco e vício em telas?

É importante traçar uma linha clínica clara entre o hiperfoco característico do TDAH e a dependência tecnológica (vício em jogos ou em internet). O hiperfoco é transitório e cíclico. O paciente pode passar semanas obcecado por um jogo específico, jogando horas a fio, e subitamente perder todo o interesse da noite para o dia, migrando seu hiperfoco para um novo hobby (como jardinagem, programação ou aprender a tocar um instrumento). O hiperfoco é uma ferramenta de compensação dopaminérgica que muda de alvo.

Já o vício é caracterizado pela compulsão persistente e pelo desenvolvimento de tolerância e abstinência. No vício, o indivíduo continua jogando mesmo quando a atividade não traz mais prazer, apenas para aliviar o desconforto da abstinência. O vício causa um prejuízo funcional progressivo e irrefreável em todas as áreas da vida. É fundamental que o diagnóstico seja feito de forma cuidadosa e minuciosa, pois as condutas terapêuticas são diferentes. Muitas vezes, o que os pais chamam de “vício em telas” em seus filhos, na verdade, é um TDAH não diagnosticado utilizando as telas como forma de automedicação para um cérebro cronicamente desestimulado.

TDAH na vida adulta: por que o diagnóstico tardio é comum?

Um fenômeno frequente em pacientes adultos é a descoberta tardia do transtorno. Muitos conseguiram compensar as dificuldades atencionais durante a infância e adolescência graças a uma alta capacidade intelectual, apoio familiar constante e a estruturação externa oferecida pela escola. No entanto, quando chegam à vida adulta — enfrentando faculdade, casamento, gestão financeira, emprego em tempo integral e a maternidade/paternidade —, a demanda pelas funções executivas ultrapassa a capacidade de compensação do cérebro.

É nesse momento que as “torres começam a cair”. O adulto se vê esquecendo prazos, perdendo objetos importantes, enfrentando crises no relacionamento devido à desatenção nas conversas diárias e vivenciando uma sensação de sobrecarga paralisante. Quando essas pessoas procuram um médico, infelizmente, o TDAH é frequentemente mascarado por diagnósticos secundários de ansiedade generalizada ou depressão. Tratar apenas a ansiedade quando a causa raiz é o TDAH é como tentar enxugar gelo. A ansiedade, nesse contexto, é muitas vezes um mecanismo de defesa: o paciente fica hipervigilante pelo medo constante de falhar, de esquecer algo importante ou de ser chamado de irresponsável mais uma vez.

Como é feito o diagnóstico de TDAH em adultos e crianças?

O diagnóstico do TDAH é essencialmente clínico, o que significa que não existe um exame de sangue ou uma ressonância magnética que confirme a condição. Ele se baseia em uma anamnese extremamente detalhada, retrospectiva e minuciosa da vida do paciente, desde a primeira infância até o momento atual. É por esse motivo que repudio as consultas apressadas de quinze minutos. Na minha prática de neurologia humanizada, compreendo que não é possível avaliar a complexidade do comportamento humano, as sutilezas das funções executivas e os impactos sociais da desatenção em poucos minutos.

Uma avaliação bem-feita exige tempo, escuta ativa e empatia. Na clínica de neurologia em Jaraguá do Sul, adoto consultas longas, com duração de até 1 hora e 15 minutos, para permitir que o paciente tenha um espaço de fala livre e seguro. Investigamos o histórico escolar, a dinâmica familiar, os hábitos de sono, a alimentação, as estratégias de enfrentamento (coping) que a pessoa desenvolveu ao longo dos anos e a presença de outras condições concomitantes, como ansiedade, depressão e distúrbios do sono. Essa investigação detalhada é o que nos permite diferenciar com clareza o TDAH de outras síndromes neurológicas e psiquiátricas.

Qual o melhor tratamento e acompanhamento médico para TDAH?

O tratamento do TDAH não se resume, de forma alguma, à simples prescrição de um comprimido. Embora a intervenção farmacológica (como os psicoestimulantes ou medicações não estimulantes) seja frequentemente a base para regular as vias dopaminérgicas e noradrenérgicas, ela deve atuar como uma “janela de oportunidade”. A medicação fornece a clareza mental e a energia de ativação necessárias para que o paciente consiga implementar mudanças reais e duradouras em sua rotina.

O sucesso do tratamento a longo prazo depende da adesão do paciente a um acompanhamento contínuo e estruturado. É por isso que atuo com um programa de acompanhamento neurológico, onde a relação médico-paciente não termina quando a pessoa sai pela porta do consultório. A fase de adaptação medicamentosa no TDAH requer ajustes finos. Cada cérebro reage de uma forma única às diferentes moléculas e dosagens. O paciente não deve ficar um mês inteiro sofrendo com efeitos colaterais leves ou dúvidas sobre a medicação sem suporte.

Ofereço aos meus pacientes em programa de acompanhamento o meu suporte médico direto via WhatsApp pessoal. Dessa forma, podemos realizar ajustes dinâmicos nas dosagens, discutir estratégias comportamentais, monitorar a qualidade do sono e criar, juntos, um ambiente favorável ao funcionamento do cérebro neurodivergente. Discutimos ferramentas de organização visual, técnicas de fracionamento de tarefas (reduzindo a demanda de ativação da função executiva), e a importância fundamental da atividade física regular como um regulador natural da dopamina.

Esse modelo de cuidado profundo, focado na pessoa e não apenas na doença, atrai pessoas de diversas regiões. Atendo tanto como neurologista particular em Jaraguá do Sul, quanto pacientes que buscam um neurologista particular em Pomerode, um médico especialista em dor de cabeça em Blumenau, ou um neurologista em Joinville, além de disponibilizar o atendimento como neurologista com atendimento online e presencial para alcançar pacientes em todo o Brasil. O meu objetivo é ser a parceira técnica e humana que acolhe, escuta e guia você em direção à retomada do controle da sua própria história.

A jornada para resgatar a sua qualidade de vida requer compromisso, paciência e o amparo de um profissional que entenda as peculiaridades da sua condição. Você não precisa se resignar a viver à sombra do seu potencial, culpando-se por conseguir focar em um jogo enquanto a sua vida real desmorona. O seu cérebro apenas funciona de uma forma diferente, e com o “manual de instruções” correto, ele pode ser extremamente criativo, produtivo e realizado.

Se você se reconheceu neste texto, sente o impacto do cansaço crônico e deseja um tratamento médico aprofundado, baseado em ciência e focado na sua autonomia, convido você a dar o primeiro passo. Entre em contato e agende sua consulta comigo, eu, Dra. Erika Tavares, em minha clínica no estado de Santa Catarina, ou através do atendimento online de excelência. Vamos juntos traçar um caminho seguro para transformar a sua rotina e devolver a você o controle do seu próprio tempo e da sua própria mente.

Por que confiar neste conteúdo?

Este artigo foi elaborado com rigor técnico, fundamentado nas pesquisas mais recentes e revisado para garantir a precisão científica no tratamento e diagnóstico neurológico, assegurando um cuidado ético, compassivo e seguro:

  • Conteúdo fundamentado nas diretrizes atuais da Academia Brasileira de Neurologia (ABN) sobre transtornos do neurodesenvolvimento e disfunções executivas em adultos e crianças.
  • Critérios diagnósticos e condutas terapêuticas em concordância com os protocolos da American Academy of Neurology (AAN) e dados recentes publicados na JAMA Neurology e The Lancet Neurology.
  • Abordagem integrativa para comorbidades frequentes (como insônia e cefaleias tensionais crônicas decorrentes do quadro), alinhada aos consensos da Sociedade Brasileira de Cefaleia (SBCe).
  • Artigo escrito, revisado e validado de acordo com a ampla vivência clínica, garantindo a integração entre o mais alto rigor científico e uma medicina profundamente humanizada, sob a supervisão técnica da Dra. Erika Tavares (CRM/SC 30733 | RQE 20463).

FAQ – Perguntas Frequentes sobre TDAH, Hiperfoco e Videogames

1. Se meu filho consegue passar horas jogando online, posso descartar o TDAH?

Não. O TDAH não é a incapacidade de prestar atenção em tudo, mas a incapacidade de direcionar e manter a atenção naquilo que não é altamente estimulante ou recompensador a curto prazo. Jogos eletrônicos fornecem liberação constante de dopamina, o que “prende” a atenção do cérebro neurodivergente. O diagnóstico deve avaliar como ele se comporta em tarefas monótonas ou rotineiras, e não em atividades prazerosas de alto estímulo.

2. O hiperfoco do TDAH é considerado uma vantagem?

Depende do contexto. O hiperfoco pode ser uma vantagem extraordinária se direcionado para o trabalho ou para os estudos (por exemplo, um programador hiperfocado escrevendo códigos brilhantes). No entanto, sem gestão clínica adequada, o hiperfoco pode ser prejudicial, levando o paciente a esquecer de comer, dormir ou negligenciar compromissos familiares e sociais importantes devido à fixação em uma única atividade.

3. O uso excessivo de telas pode causar TDAH?

Não. O TDAH é um transtorno do neurodesenvolvimento com forte componente genético e biológico. O uso excessivo de telas não “cria” o TDAH em um cérebro neurotípico. Contudo, a exposição excessiva a estímulos rápidos (como vídeos curtos e jogos contínuos) pode agravar severamente os sintomas de desatenção e impulsividade em quem já possui o transtorno, além de prejudicar a regulação do sono e aumentar a fadiga mental.

4. Existe tratamento definitivo para curar o TDAH?

O TDAH é uma característica do funcionamento do sistema nervoso e não possui uma “cura” no sentido tradicional de eliminação completa da condição. O objetivo do tratamento é o controle adequado dos sintomas, promovendo a remissão do prejuízo funcional e um aumento significativo na qualidade de vida e autonomia do paciente. Com acompanhamento contínuo, ajustes no estilo de vida e, quando indicado, uso de medicações regulares, a pessoa pode viver de forma perfeitamente funcional e saudável.

5. Adultos não diagnosticados na infância ainda podem buscar tratamento?

Absolutamente sim. O diagnóstico tardio de TDAH em adultos é muito comum, especialmente em pessoas que apresentaram alta capacidade de compensar as dificuldades ao longo da juventude. Buscar uma clínica especializada em neurologia na vida adulta permite compreender as frustrações acumuladas por anos, desmistificar o rótulo de “preguiçoso” e iniciar um plano de manejo que frequentemente transforma o desempenho profissional e as relações pessoais.

Dra. Erika Tavares, neurologista em Joinville, Jaraguá do Sul, Pomerode, Blumenau, Florianópolis. Saúde cerebral

Conheça mais sobre o trabalho da Dra. Erika Tavares em Jaraguá do Sul e inicie o seu tratamento.

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